Curitiba — Aos 22 anos, o paranaense Matheus Nunes tomou uma decisão que mudaria radicalmente sua vida e a de sua família. Reservista do Exército Brasileiro, ele embarcou rumo à Ucrânia para atuar como voluntário no conflito contra a Rússia, mas só comunicou a escolha aos familiares momentos antes de entrar no avião, no aeroporto.
“Foi aquele choque. A gente não acreditou na hora”, relatou um parente próximo, que preferiu não se identificar.
Segundo a família, Matheus sempre demonstrou interesse por temas ligados à geopolítica, defesa e conflitos internacionais. Após acompanhar por meses as notícias sobre a guerra iniciada em 2022, ele passou a estudar o cenário ucraniano, grupos de voluntários estrangeiros e as exigências para quem desejava prestar apoio militar ao país.
Apesar disso, os familiares afirmam que não havia sinais claros de que ele deixaria o Brasil para atuar diretamente no conflito. A comunicação tardia foi, segundo eles, uma forma encontrada pelo jovem para evitar tentativas de convencimento de última hora.
“Ele disse que já estava decidido e que avisar antes só tornaria tudo mais difícil”, contou um familiar.
Experiência militar e voluntariado
Matheus cumpriu serviço militar obrigatório no Brasil e passou para a condição de reservista. Essa formação foi determinante para que ele fosse aceito como voluntário, já que a Ucrânia exige experiência prévia para integrar unidades estrangeiras de apoio.
De acordo com informações repassadas à família, o jovem não integra forças regulares do Exército ucraniano, mas atua em um grupo de voluntários internacionais, composto por pessoas de diferentes países que oferecem suporte militar e logístico.
Especialistas em direito internacional destacam que a participação de brasileiros como voluntários em conflitos estrangeiros não é, por si só, crime, desde que não haja vínculo com organizações consideradas terroristas ou mercenárias. Ainda assim, trata-se de uma decisão de alto risco, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico.
Reação da família
A notícia gerou apreensão imediata. Familiares relatam noites sem dormir, preocupação constante e dificuldade para lidar com a distância e a falta de informações em tempo real.
“O medo é diário. A gente sabe que é uma zona de guerra, que qualquer coisa pode acontecer”, afirmou um parente.
O contato com Matheus ocorre de forma esporádica, principalmente por aplicativos de mensagem, quando as condições permitem. A família evita divulgar detalhes sobre a localização exata do jovem por questões de segurança.
Fenômeno global
Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, centenas de estrangeiros se apresentaram como voluntários para atuar ao lado das forças ucranianas. O fenômeno inclui ex-militares, reservistas e civis com treinamento básico, movidos por diferentes motivações: convicções políticas, solidariedade internacional ou experiências pessoais.
Analistas alertam, porém, que o retorno desses voluntários aos países de origem pode ser complexo, exigindo acompanhamento psicológico e reintegração social.
Um futuro incerto
Questionado antes do embarque sobre quando pretende voltar, Matheus teria respondido apenas que “isso depende de muita coisa”. Para a família, resta a esperança de que o jovem retorne em segurança.
“Não é uma escolha fácil de aceitar, mas ele é adulto e fez a decisão dele. A gente só quer que volte vivo”, concluiu o familiar.









