O estado do Rio de Janeiro ultrapassou a marca de 40 mil registros de violência contra mulheres, segundo dados oficiais divulgados por órgãos de segurança pública. Os números englobam ocorrências de agressões físicas, violência psicológica, ameaças, estupros e feminicídios, revelando um cenário persistente de vulnerabilidade e risco para mulheres em diferentes regiões do estado.
Levantamentos do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que, apesar de avanços pontuais em ações de enfrentamento, a violência de gênero continua sendo um dos principais desafios da política de segurança pública fluminense. Especialistas alertam que os dados representam apenas os casos registrados, o que pode indicar subnotificação, especialmente em situações de violência doméstica.
Violência doméstica lidera registros
A maior parte das ocorrências está relacionada à violência praticada dentro do ambiente familiar, tendo como agressores companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas à vítima. A violência psicológica e as ameaças aparecem entre os crimes mais recorrentes, muitas vezes antecedendo agressões físicas mais graves.
De acordo com profissionais que atuam na rede de proteção, o medo, a dependência financeira e a falta de apoio familiar ainda são fatores que dificultam a denúncia por parte das vítimas.
Feminicídios seguem como preocupação central
Embora o número de homicídios dolosos contra mulheres tenha apresentado oscilações em determinados períodos, os casos de feminicídio — quando a mulher é assassinada em razão de seu gênero — continuam sendo motivo de preocupação. Organizações da sociedade civil apontam que muitos desses crimes poderiam ser evitados com medidas preventivas eficazes, como monitoramento de agressores reincidentes e cumprimento rigoroso de medidas protetivas.
Rede de proteção é ampliada, mas desafios persistem
Nos últimos anos, o Estado e os municípios do Rio de Janeiro ampliaram a rede de atendimento às mulheres, com reforço nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), criação da Delegacia da Mulher Digital, além de programas como a Patrulha Maria da Penha, voltados ao acompanhamento de vítimas com medidas protetivas concedidas pela Justiça.
Apesar disso, especialistas afirmam que ainda há déficit de estrutura, especialmente no interior do estado, além da necessidade de capacitação contínua de agentes públicos e integração entre segurança, saúde, assistência social e Judiciário.
Impactos sociais e econômicos da violência
A violência contra a mulher também gera impactos profundos na saúde pública e na economia. Mulheres vítimas de agressão apresentam maior incidência de afastamento do trabalho, transtornos psicológicos, dificuldades de inserção profissional e dependência de políticas assistenciais.
Para entidades de defesa dos direitos das mulheres, o enfrentamento da violência passa não apenas pela repressão penal, mas por políticas de educação, autonomia financeira e mudança cultural, com foco na prevenção desde a infância.
Caminhos para o enfrentamento
Especialistas defendem:
• fortalecimento da rede de acolhimento;
• ampliação do acesso à denúncia segura;
• monitoramento eletrônico de agressores reincidentes;
• investimentos em educação de gênero;
• políticas de incentivo à independência econômica das mulheres.
A violência contra mulheres segue como uma questão estrutural, exigindo ações contínuas e integradas do poder público e da sociedade. Enquanto os números permanecem elevados, cresce a pressão por respostas mais eficazes para garantir segurança, dignidade e o direito à vida.








