Home / Rio de Janeiro / Movimento das Mulheres Sambistas inaugura sede no Centro do Rio

Movimento das Mulheres Sambistas inaugura sede no Centro do Rio

Novo espaço abre as portas no dia 17 de julho como território de encontro, formação, acolhimento e criação após sete anos de atuação do coletivo

Depois de sete anos construindo redes, projetos e caminhos para fortalecer as mulheres que fazem e vivem o samba, o Movimento das Mulheres Sambistas inaugura, no dia 17 de julho, às 17h, sua sede oficial. Localizado na Rua Teófilo Otoni, 134, sobrado, no Centro do Rio de Janeiro, o novo espaço dá endereço permanente a uma trajetória coletiva iniciada em 2019 e que já alcançou milhares de mulheres, crianças, famílias e espectadores por meio de ações de formação, cultura, mobilização social e valorização da memória do samba.

Mais do que um endereço, a sede nasce como uma casa para mulheres vinculadas ao samba profissional ou afetivamente. Compositoras, musicistas, produtoras, pesquisadoras, trabalhadoras da cultura, sambistas e mulheres que têm no samba parte de sua história e de seus vínculos passam a contar com um espaço permanente de encontro, troca e construção coletiva. A proposta também aproxima gerações e amplia oportunidades para mulheres e crianças.

Criado em julho de 2019, em celebração ao Dia Nacional da Mulher Sambista, o Movimento das Mulheres Sambistas atua para consolidar conquistas, ocupar espaços e construir um legado coletivo, promovendo o protagonismo feminino em toda a cadeia produtiva do samba, nas ruas, nos palcos e nas redes. Desde então, criou espaços de formação, memória, articulação e celebração, com projetos como a Casa da Mulher Sambista e a Casa dos Sambistinhas, além de ações culturais que reconhecem o protagonismo das mulheres na história e no futuro do samba.

Entre as principais frentes dessa trajetória está a Casa da Mulher Sambista, projeto cultural voltado à capacitação, ao acolhimento e à visibilidade de mulheres vinculadas ao samba, seja de forma profissional, como compositoras, musicistas e produtoras, seja afetiva. Em duas edições, a iniciativa já ofertou 2.524 vagas em oficinas, palestras, rodas de conversa e atividades de formação profissional conduzidas por mulheres com ampla experiência na cultura popular.

Os dados reunidos a partir das mulheres que participaram das ações revelam a dimensão social dessa atuação: 82% são mulheres negras e 72% são mulheres periféricas ou moradoras de comunidades. O impacto também aparece na experiência formativa: oito em cada dez chegaram às oficinas sem experiência prévia no tema escolhido, enquanto nove em cada dez saíram com habilidades concretas e desenvolvimento visível. O vínculo construído permanece depois das atividades: 93,41% pretendem se inscrever em um novo ciclo e 100% afirmaram que voltariam e indicariam as oficinas para outras mulheres.

Os números ajudam a dimensionar uma atuação que vai além da oferta de vagas. A Casa da Mulher Sambista alcança majoritariamente mulheres negras e periféricas e constrói uma rede em que formação, autonomia, afeto e pertencimento caminham juntos.

O compromisso com as novas gerações ganhou forma na Casa dos Sambistinhas. Em sua frente de musicalização, o projeto manteve quatro polos ao longo de dois semestres e atendeu 80 crianças típicas e atípicas. Já o espetáculo infantil realizou 16 apresentações e alcançou aproximadamente 1.200 espectadores, aproximando crianças do universo do samba por meio da arte, da música e de experiências pensadas para diferentes infâncias.

A atuação voltada às crianças segue agora também pela literatura. A Casa dos Sambistinhas – Literatura tem foco em infâncias negras e periféricas e propõe ampliar a representatividade negra na literatura infantil, fortalecendo autoestima, expressão e pertencimento. A iniciativa se soma às ações desenvolvidas pelo Movimento em parceria com instituições como a Fiocruz e o Instituto Benjamin Constant.

A memória e o legado das mulheres do samba atravessam algumas das maiores realizações do coletivo. Na quarta edição do Dia da Mulher Sambista, dedicada ao centenário de Dona Ivone Lara, o Movimento reuniu 100 artistas na Fundição Progresso, contou com 82 mulheres no palco e uma equipe 100% feminina e recebeu cerca de 2 mil espectadores. A celebração deu dimensão pública a um princípio que acompanha o Movimento desde sua origem: reconhecer as mulheres não apenas como presença fundamental na história do samba, mas como protagonistas de sua criação, produção e futuro.

Esse encontro entre gerações também chegou ao disco. No projeto Canto em Movimento, 52 cantoras participaram da gravação de um álbum coletivo com dez faixas, entre elas uma música inédita de Dona Ivone Lara. A iniciativa reuniu diferentes vozes femininas em uma obra que conecta legado, criação e continuidade.

Ao longo de sua trajetória, o Movimento também conquistou reconhecimento público. Entre as homenagens e distinções recebidas estão o Prêmio Dandara e o Diploma Heloneida Studart, concedidos pela Alerj; a Medalha Chiquinha Gonzaga, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro; a Medalha Dona Ivone Lara, do Instituto Dona Ivone Lara; além de moções de aplausos das câmaras municipais do Rio de Janeiro e de Niterói e homenagens ligadas às trajetórias de Carolina Maria de Jesus, Antonieta de Barros e Luiza Mahin.

A inauguração da sede transforma essa caminhada em presença permanente. No Centro do Rio, ações que já alcançaram mulheres, crianças, famílias e públicos diversos passam a contar com um espaço de referência para formações, encontros, rodas de conversa, criação de novas iniciativas e fortalecimento de vínculos. Para um movimento construído por mulheres em torno de uma das expressões mais profundas da cultura brasileira, ter uma sede significa ampliar condições de continuidade, autonomia e pertencimento.

A nova sede dá endereço a uma rede construída ao longo de sete anos. Um espaço para receber mulheres e crianças, promover formações, compartilhar saberes, fortalecer vínculos e criar novos projetos. No Centro do Rio, o Movimento transforma uma trajetória coletiva em presença permanente e abre as portas para que mais mulheres possam se encontrar, criar e construir juntas novos caminhos no samba.

Serviço

Inauguração da sede do Movimento das Mulheres Sambistas

Data: 17 de julho

Horário: 17h

Local: Rua Teófilo Otoni, 134, sobrado

Centro, Rio de Janeiro

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *