Música, exposição, ciranda, slam, teatro, audiovisual e arte de base comunitária ocupam o centro da programação artística da nova casa cultural do território paratiense
De 21 a 26 de julho, o Centro Histórico de Paraty ganha um novo palco de protagonismo da cultura caiçara com a estreia da Casa Paraty, que realiza sua primeira edição durante a 24ª Flip. Pensado diretamente a partir do território e de suas tradições, o espaço cultural abre suas portas para colocar a cultura caiçara viva no centro da cena. A Casa Paraty integra a programação dos espaços parceiros da 24ª Flip e nasce para articular memória e contemporaneidade por meio de um panorama pulsante que reúne oralidade, música popular, a tradicional ciranda caiçara, teatro, hip hop, audiovisual e a produção criativa das novas gerações.
Mais do que uma agenda de apresentações, a proposta é oferecer uma experiência de imersão na vida cultural do território. Ao longo da programação, visitantes e moradores poderão circular por rodas de ciranda, espetáculos teatrais, oficinas, debates, lançamentos de livros, exibições audiovisuais e apresentações de crianças e jovens artistas da cidade em um ambiente que articula memória, pertencimento e criação contemporânea.
A iniciativa nasce com o objetivo de afirmar a identidade cultural de Paraty como ponto de partida para o diálogo com os fluxos nacionais e internacionais da Flip. Para Gabriela Marsico, coordenadora e uma das idealizadoras do espaço, que acompanha a Flip desde os 11 anos, esse elo entre o território e quem o habita é a base de tudo. “Acredito que memória, identidade e pertencimento são inseparáveis. Uma cultura viva não se sustenta apenas preservando o passado, mas criando condições para que novas gerações possam se reconhecer nessas histórias e, ao mesmo tempo, produzir novas narrativas.”
É com esse propósito que a Ciranda Caiçara e a figura do poeta e agitador cultural José Kleber Martins Cruz aparecem como eixos dessa construção, conectando tradição e experimentação artística. Um dos momentos mais emblemáticos será a participação dos Cirandeiros de Paraty, que ocupam lugar central na proposta artística da Casa, reafirmando a força da ciranda como manifestação coletiva profundamente ligada à memória oral, ao convívio comunitário e aos modos de vida tradicionais da Costa Verde.
Para Eric Porto, incentivador da Casa Paraty, o espaço amplia a visibilidade da produção cultural do município. “A Casa Paraty representa a oportunidade de mostrar ao Brasil a potência criativa das pessoas que vivem aqui. Temos artistas, escritores, mestres da cultura popular, jovens criadores e lideranças comunitárias produzindo cultura de forma permanente ao longo de todo o ano. Poder contribuir para que essas vozes sejam celebradas e compartilhadas durante a Flip é motivo de orgulho.”
A programação foi organizada para valorizar diferentes expressões culturais do território ao longo dos seis dias de atividades, aproximando moradores e visitantes da diversidade artística produzida em Paraty.
A curadora Vanda Mota destaca que esse foi o princípio que orientou a construção da programação. “Nossa preocupação sempre foi harmonizar a produção cultural local em seus ritmos com o calendário de eventos de uma cidade como Paraty. Sendo a Flip o maior dos eventos culturais da cidade, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público.”
Além da programação de debates, apresentações e oficinas, a Casa Paraty realizará durante todo o período a exposição “A Luta de Trindade”, composta pelo acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade (AMOT). A mostra reúne registros históricos produzidos entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, documentando a mobilização da comunidade caiçara em defesa de seu território. Ao reunir imagens de um dos mais importantes movimentos de mobilização popular da região, a exposição oferece ao público um panorama sobre a luta da comunidade de Trindade pela defesa de seu território, resgatando episódios que marcaram a história local e permanecem vivos na memória de seus moradores.
Terça e quarta-feira (21/07 e 22/07)
A programação tem seu início oficial na terça-feira (21), às 20h, com o Cortejo da Ciranda de Tarituba, seguido de saudações, que marcam a abertura oficial da Casa Paraty. Já na quarta, o universo lúdico abraça a Casa Paraty, transmitindo o passado para o futuro com uma programação infantil especial que reúne teatro, música, danças e a oficina “Brincando com Gravetos”, tendo início às 15h.
Quinta-feira (23/07)
Na quinta-feira, serão realizadas as mesas “Defeso Cultural” e “Mar de Cultura em Paraty”, além do lançamento dos livros “A duração da sombra”, de Fernanda Nali, e “Filosofia Caiçara: conhecimento profundo da natureza”, de Sílvia Paes. À noite, Duda Porto conduz uma conversa sobre a história da cachaça em Paraty, seguida do show de Luís Perequê e convidados. O encerramento acontece com a apresentação dos Cirandeiros da Ciranda Nova Esperança.
Sexta-feira (24/07)
Na sexta-feira, a programação será aberta pela apresentação da Remada Ecológica, que aborda a educação ambiental como ferramenta de transformação social, destacando a importância do engajamento comunitário na preservação do território e na construção de uma cultura de cuidado com a natureza. Logo após, a programação segue com destaque no meio ambiente, juventude e cultura urbana, com a mesa “Paraty e Meio Ambiente”, no mesmo dia também acontecem a mesa “Juventude e Tradição” e a mesa “Cinema e Audiovisual”. À noite, o público acompanha a Mostra de Vídeos com produções dedicadas à memória e ao território caiçara, encerrando a noite com o show de MC Marinho e Realidade Negra, que contam com Xaplin abrindo a apresentação.
Sábado (25/07)
No sábado, a Casa Paraty aproxima tradição, teatro e audiovisual, e recebe as mesas “Cultura e Território”, “Literatura Paraty” e “Memória e Cultura Caiçara”. Aproximando o público da literatura caiçara, ocorre ainda o lançamento de livros de Victor Rebolças (Jair da Trindade, por alguma justiça) e Mirian Machado (Parque da Mangueira e Ilha das Cobras,o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty). A programação noturna apresenta o Cabaré Teatral Zé Kleber, espetáculo que homenageia o artista José Kleber Martins Cruz por meio de música, poesia, humor e memória afetiva da cidade. A programação encerra com o resultado do concurso de novos versos de ciranda e apresentação dos Cirandeiros de Paraty e Os Praianos, fechando o ciclo de atrações que buscam mostrar o peso da cultura caiçara e suas sementes.
No último dia da Casa Paraty, domingo (26), o espaço permanece aberto exclusivamente para visitação. O público poderá percorrer a exposição “A Luta de Trindade” e conhecer os diferentes ambientes da casa, encerrando a programação da Flip em um espaço dedicado à memória, à cultura caiçara e às histórias que atravessam o território paratiense.
A proposta amplia a percepção de Paraty para além do cenário turístico e literário já consagrado internacionalmente. Ao colocar em evidência seus mestres populares, coletivos juvenis, artistas quilombolas, grupos infantis e tradições orais, a Casa Paraty convida o público a experimentar a cidade a partir de suas vozes locais e de suas formas próprias de criação.
A Casa Paraty surge, assim, como uma das experiências culturais mais originais desta edição da Flip. Em vez de funcionar apenas como espaço de circulação de visitantes, a casa se apresenta como uma plataforma de mediação entre artistas, pesquisadores, moradores e turistas, tendo a cultura caiçara como eixo estruturante.
Acompanhe a programação pelas redes sociais: @casaparatynaflip





