Home / Cidades / Costa Verde / Paraty / Casa Paraty encerra participação na Flip 2026 com cerca de 5 mil participantes e consolida espaço dedicado à cultura caiçara

Casa Paraty encerra participação na Flip 2026 com cerca de 5 mil participantes e consolida espaço dedicado à cultura caiçara

Integrando a programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, a iniciativa reuniu literatura, artes visuais, música, patrimônio e memória, fortalecendo o protagonismo da cultura caiçara e ampliando a diversidade cultural do festival.

A Casa Paraty encerrou sua participação na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), com cerca de 5 mil visitantes ao longo de sua programação. Integrando a programação paralela do evento, que registrou recorde de público e de casas parceiras nesta edição, o espaço promoveu uma agenda voltada à valorização da cultura caiçara, reunindo literatura, artes visuais, música, patrimônio, memória e identidade cultural em atividades gratuitas abertas ao público.

Durante os cinco dias de programação, moradores, turistas, artistas, escritores e pesquisadores participaram de debates, exposições, apresentações musicais, oficinas, lançamentos de livros, rodas de conversa e atividades voltadas para diferentes faixas etárias. A expressiva participação do público reforçou a Casa Paraty como um novo espaço de referência na programação cultural da Flip, evidenciando o interesse por iniciativas que aproximam literatura, patrimônio e manifestações culturais locais.

Entre os momentos que marcaram a programação, o cortejo de ciranda que percorreu as ruas do centro histórico de Paraty, realizado um dia antes da abertura oficial da 24ª Flip, deu início às atividades da Casa Paraty e levou música, dança e manifestações da cultura caiçara para moradores e visitantes. A ação movimentou a cidade e antecipou o clima do festival, reafirmando a presença da tradição caiçara no espaço urbano e convidando o público a conhecer a programação do projeto.

Outro destaque foi o Cabaré Teatral, espetáculo inspirado nos versos de Zé Kleber, que encantou o público ao reunir poesia, música e interpretação cênica em uma homenagem à cultura popular paratiense. A apresentação celebrou a riqueza da produção artística local e reforçando a proposta da Casa de aproximar diferentes linguagens culturais em diálogo com a identidade caiçara.

O encerramento da Casa Paraty também foi marcado pela apresentação dos Cirandeiros de Paraty, realizada na noite de sábado, que reafirmou a importância da ciranda como patrimônio cultural imaterial, sustentado pela memória e pela convivência das populações da Costa Verde. A atividade reuniu grande público e celebrou uma das manifestações culturais mais tradicionais da região.

A valorização da tradição caiçara também esteve presente no concurso Novos Versos de Ciranda Caiçara, que incentivou a criação de novas composições inspiradas em uma das mais importantes manifestações culturais da região. Os três versos vencedores — “Homenagem a Saudosos Mestres Cirandeiros”, de Fernando Albino de Alcântara; “A procissão mais bunita”, de Cauã da Cruz Oliveira; e “Despedida do Amor Alheio”, de Rodrigo Zambrotti Pinaud — foram apresentados pelos Cirandeiros de Paraty durante o encerramento da programação da Casa, celebrando o diálogo entre tradição e novas gerações de autores.

Para a curadora Vanda Mota, o impacto da programação foi além dos números de público e se refletiu na experiência vivida pelos participantes. Segundo ela, as mesas de debate e as apresentações artísticas despertaram forte envolvimento emocional, especialmente em momentos como o show de Luís Perequê, a participação de Jair da Trindade e a ciranda de encerramento. “Foi um sucesso maior do que esperávamos, principalmente pela reverberação no coração das pessoas que passaram pela Casa”, resume.

A conexão com o território esteve presente em diferentes momentos da programação. A exposição Trindade: Quando o Território Virou Luta, organizada a partir do acervo da Associação de Moradores da Trindade (AMOT), resgatou a memória da mobilização comunitária em defesa do território, enquanto a Galeria de Arte Popular reuniu obras de artistas paratienses de diferentes gerações, aproximando visitantes da produção artística local.

A literatura e o audiovisual também ampliaram esse diálogo com Paraty e sua história. Os lançamentos dos livros Jair da Trindade – Por Alguma Justiça, de Victor Rebouças, e Parque da Mangueira e Ilha das Cobras – O Tradicional na Territorialidade Contemporânea de Paraty, de Mírian Machado, deram visibilidade a narrativas sobre o município, enquanto a mesa Cinema e Audiovisual, com o historiador Diuner Mello e a atriz Nanda Costa, promoveu uma conversa sobre a memória do cinema na cidade e sua preservação.

A idealizadora Gabi Marsico destaca que a proposta da Casa era criar um espaço em que a cultura caiçara pudesse ser experimentada pelo público de forma integrada. Segundo ela, a ambientação, as exposições, a literatura, a música e o audiovisual transformaram o espaço em um percurso vivo pela história e pela identidade de Paraty. Para Gabi, um dos retornos mais marcantes foi ouvir dos visitantes que a Casa tinha “alma” e que ali a cultura era vivida, e não apenas exposta

No encerramento da primeira edição, Eric Porto avalia que a principal conquista foi o sentimento de pertencimento construído ao longo da programação.

“Ouvimos muitas pessoas dizendo que gostariam que a Casa continuasse existindo depois da Flip, e talvez esse tenha sido o maior reconhecimento que poderíamos receber. Mais do que um espaço cultural, ela se tornou um lugar de pertencimento. Saímos desta primeira edição com a certeza de que plantamos uma semente muito bonita.”

Ao longo da Flip 2026, a Casa Paraty consolidou-se como um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas e públicos diversos, contribuindo para fortalecer a presença da cultura caiçara na programação do festival e ampliando as possibilidades de diálogo entre patrimônio, literatura, artes e memória. O resultado da iniciativa evidencia o potencial do projeto para integrar a programação cultural de futuras edições da festa, reafirmando seu compromisso com a valorização da identidade local e com a promoção de Paraty como referência cultural e turística.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *