Projeto transforma resíduos em produtos ecológicos e já alcança centenas de milhões de litros de esgoto com potencial de tratamento
Um ano após a inauguração da EcoFábrica Omìayê, na Mangueira, Zona Norte do Rio de Janeiro, a tecnologia social desenvolvida pelo Instituto Singular Ideias Inovadoras já apresenta resultados que mostram o potencial de soluções ambientais construídas dentro dos próprios territórios. Comemorando um ano de início das atividades nesta quarta-feira (12), até de julho de 2026, a iniciativa já coletou 7,93 mil litros de óleo de cozinha usado, evitando a poluição de aproximadamente 198 milhões de litros de água, e produziu soluções com potencial para tratar mais de 450 milhões de litros de esgoto.
Os resultados são fruto de uma cadeia que transforma resíduos em produtos e soluções de biorremediação. No período, foram produzidos 145 mil litros de microrganismos biorremediadores, 9,4 toneladas de sabão em barra, com potencial de tratamento de 7,35 milhões de litros de esgoto; e 3.300 litros de produtos líquidos ecológicos, com potencial de tratamento de outros 2,93 milhões de litros de esgoto.
Embora a operação da fábrica tenha começado em maio de 2025, sua inauguração oficial aconteceu em agosto do mesmo ano. O espaço foi criado para integrar ciência, sustentabilidade, geração de trabalho e renda e participação comunitária, transformando resíduos que seriam descartados inadequadamente em insumos para uma nova cadeia produtiva.
“Completar um ano da inauguração da EcoFábrica e olhar para esses números mostra que estamos falando de muito mais do que uma fábrica. Estamos falando de uma tecnologia social que nasceu no território e que está conseguindo transformar resíduos em soluções concretas. Esses resultados mostram a força que existe quando ciência, comunidade e inovação caminham juntas e quando a própria população participa da construção das soluções para os desafios ambientais que enfrenta”, afirma Gabriel Pizoeiro, Diretor do Instituto Singular Ideias Inovadoras.
“Chegar ao marco de um ano de OMÌAYÊ é perceber tudo o que foi construído ao longo desse caminho. O Omì ganhou rostos, histórias e pessoas que passaram a acreditar e fazer parte desse propósito. Cada conquista carrega o trabalho de muita gente e reforça que cuidar do meio ambiente também pode gerar oportunidades, pertencimento e novas perspectivas dentro da comunidade”, destaca Jessica Delgado, Coordenadora do Projeto Omìayê.
Um dos principais eixos da iniciativa é a coleta e o reaproveitamento do óleo de cozinha usado. Em vez de chegar à rede de esgoto ou ao meio ambiente, o óleo é transformado em matéria-prima para a produção de sabão e outros produtos ecológicos. O processo cria uma lógica de economia circular em que um resíduo se transforma em insumo para novas soluções.
A EcoFábrica produz sabão em barra, pastilhas, detergentes e outros produtos por mulheres da própria comunidade, sendo que o sabão também contribui para ampliar o acesso a produtos ecológicos e fortalecer a geração de trabalho e renda no território. Entre as soluções estão produtos desenvolvidos a partir da tecnologia social do projeto para ampliar as possibilidades de atuação da biorremediação.
Outro eixo central da Omìayê é a produção de microrganismos biorremediadores. Em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), o projeto desenvolve soluções que utilizam microrganismos no tratamento de efluentes, uma alternativa de baixo custo e potencialmente replicável em diferentes contextos.
Para as mulheres que atuam diretamente na EcoFábrica, que atua com 100% de mão de obra feminina, o primeiro ano também representa uma trajetória de aprendizado, trabalho e participação na transformação do próprio território.
“É muito emocionante completar um ano e ver tudo o que a gente conseguiu construir. A gente trabalha aqui todos os dias, coleta o óleo, produz os produtos e vê o resultado, mas quando olha para esses números percebe a dimensão do impacto. Saber que o nosso trabalho está ajudando a proteger a água e cuidar do meio ambiente dá muito orgulho. A EcoFábrica também trouxe uma oportunidade para nós, mulheres da comunidade, aprendermos, trabalharmos e fazermos parte dessa transformação”, conta Monique Feliciano, integrante da equipe da EcoFábrica Omìayê.
Mais do que uma unidade de produção, a EcoFábrica Omìayê se consolida como um espaço de aplicação de tecnologia social, educação ambiental e geração de oportunidades. A experiência mostra como soluções desenvolvidas a partir das necessidades locais podem produzir impactos ambientais mensuráveis e, ao mesmo tempo, fortalecer a autonomia das comunidades.
Um ano após a inauguração, os números alcançados na Mangueira apontam para uma possibilidade que vai além do território: transformar resíduos em soluções, aproximar ciência e comunidade e desenvolver tecnologias capazes de contribuir para desafios ambientais que atingem cidades de todo o mundo.
Sobre o Projeto Omìayê
O Projeto Omìayê é uma iniciativa de saneamento ecológico circular e educação ambiental que transforma óleo usado em Ecosabões biorremediadores. Além de promover ações de cuidado com a água e com o território, une tecnologia social e mobilização comunitária para fortalecer práticas sustentáveis e gerar impacto positivo nas comunidades.
Saiba mais: www.omiaye.com.br








